
Introdução
Seu plano de saúde negou o Nucala (mepolizumabe)? Essa recusa é frustrante — e, na maioria dos casos, não tem respaldo jurídico.
Apesar da prescrição médica fundamentada, as operadoras frequentemente apresentam justificativas padronizadas para negar o tratamento. No entanto, quando há indicação clínica adequada e registro sanitário na ANVISA, essas justificativas não se sustentam juridicamente.
Portanto, neste guia completo e atualizado para 2026, você vai entender:
- Para que serve o Nucala e quais doenças ele trata
- Quando o plano de saúde tem obrigação de fornecê-lo
- Por que os argumentos das operadoras não procedem
- Quais documentos reunir para entrar com ação judicial
- Como obter uma liminar de urgência para iniciar o tratamento rapidamente
Para que Serve o Nucala (Mepolizumabe)?
O Nucala (mepolizumabe) é um medicamento imunobiológico classificado como anticorpo monoclonal. Dessa forma, ele age bloqueando especificamente a interleucina-5 (IL-5), proteína responsável pela ativação, produção e sobrevivência dos eosinófilos — células que, em quantidade elevada, causam processos inflamatórios graves em diversas doenças.
A ANVISA aprovou o mepolizumabe para as seguintes condições:
- Asma eosinofílica grave em adultos e crianças a partir de 6 anos
- Granulomatose eosinofílica com poliangiite (GEPA)
- Síndrome hipereosinofílica
- Rinossinusite crônica com pólipos nasais grave em adultos
Na prática clínica, os médicos indicam o Nucala principalmente para pacientes que permanecem sintomáticos mesmo após o uso de corticoides inalados em altas doses associados a outros controladores. Além disso, o mepolizumabe reduz as crises, diminui as exacerbações e pode eliminar ou reduzir significativamente a necessidade de corticoides sistêmicos — cujos efeitos colaterais no longo prazo são graves.
Por todas essas razões, o Nucala pelo plano de saúde deve ser tratado como tratamento essencial sempre que houver prescrição médica fundamentada e falha terapêutica prévia comprovada.
O Nucala Está no Rol da ANS?
Sim, parcialmente. Esse é um ponto importante que diferencia o Nucala de muitos outros medicamentos biológicos — e que torna a negativa ainda mais abusiva em determinados casos.
Desde abril de 2021, a RN nº 465/2021 da ANS (DUT 65.10) prevê a cobertura obrigatória do mepolizumabe para o tratamento complementar da asma eosinofílica grave. Além disso, a RN nº 634/2025, vigente a partir de junho de 2025, atualizou e expandiu essa cobertura.
Para que a cobertura seja obrigatória, o paciente deve preencher todos os seguintes critérios:
- Asma não controlada apesar do uso de corticoide inalatório associado a beta-2 agonista de longa duração
- Contagem de eosinófilos no sangue igual ou superior a 300 células/µL nos últimos 12 meses
- Uma das seguintes condições adicionais:
- Uso contínuo de corticoide oral para controle da asma nos últimos 6 meses, ou
- 3 ou mais exacerbações asmáticas com necessidade de corticoide oral no último ano
Portanto, para pacientes com asma eosinofílica grave que preenchem todos esses critérios, a cobertura pelo plano de saúde é diretamente obrigatória — sem necessidade de ação judicial. Nesse caso, a negativa do plano contraria uma determinação expressa da própria ANS, tornando-a ainda mais abusiva e de mais fácil contestação.
Para as demais indicações — como GEPA, síndrome hipereosinofílica e rinossinusite crônica com pólipos —, a cobertura pode ser obtida judicialmente, com base na Lei nº 14.454/2022 e na prescrição médica fundamentada.
Quanto Custa o Nucala (Mepolizumabe)?
O Nucala é considerado medicamento de alto custo pelo plano de saúde. Cada caixa pode variar entre R$ 7.200 e R$ 11.800, dependendo da apresentação — frasco-ampola ou caneta aplicadora — e da farmácia. Como o tratamento geralmente exige aplicação mensal, o custo anual pode ultrapassar facilmente R$ 100.000.
Consequentemente, as operadoras resistem em cobri-lo. No entanto, o custo elevado não autoriza a negativa — o risco financeiro da atividade pertence à operadora, não ao paciente.
O Plano de Saúde é Obrigado a Fornecer o Nucala (Mepolizumabe)?
Sim. Quando o caso reúne os requisitos adequados, o plano de saúde tem obrigação legal de custear o Nucala, independentemente do seu custo.
Em primeiro lugar, para a asma eosinofílica grave com preenchimento dos critérios da ANS, a cobertura é diretamente obrigatória — sem necessidade de ação judicial. Além disso, para as demais indicações aprovadas pela ANVISA, a Lei nº 9.656/98 garante a cobertura dos tratamentos necessários às doenças previstas no contrato. E a Lei nº 14.454/2022 reforça que o Rol da ANS é exemplificativo — ou seja, uma referência mínima, não uma lista fechada.
Para que a obrigação exista, é necessário que o caso apresente:
- Prescrição médica fundamentada — com diagnóstico, CID e justificativa técnica
- Indicação clínica compatível com o quadro do paciente
- Doença com cobertura contratual — a patologia deve estar prevista no contrato
- Registro do medicamento na ANVISA — o mepolizumabe tem registro regular
Ademais, o plano pode delimitar as doenças cobertas, mas não pode restringir o tratamento que o médico assistente indica. Em outras palavras, a escolha da opção mais segura e eficaz cabe exclusivamente ao profissional de saúde.
Por que as Justificativas do Plano Não se Sustentam?
As operadoras utilizam argumentos padronizados para negar o Nucala. A seguir, veja por que nenhum deles prospera juridicamente:
1. “O Nucala não está no Rol da ANS”
Para a asma eosinofílica grave, essa alegação é duplamente abusiva: o mepolizumabe já está no Rol desde 2021. Para as demais indicações, a Lei nº 14.454/2022 deixou expresso que o Rol é exemplificativo. Portanto, quando o médico prescreve com fundamentação técnica e o medicamento tem eficácia comprovada, o plano tem de cobrir.
2. “O paciente não preenche os critérios das DUTs”
As Diretrizes de Utilização Técnica da ANS estabelecem critérios mínimos de elegibilidade. No entanto, quando o médico demonstra tecnicamente que o paciente os preenche — ou justifica tecnicamente a necessidade clínica —, esse argumento perde força diante do Judiciário.
3. “É uso off-label”
O uso off-label não impede o fornecimento quando o médico apresenta justificativa técnica, o medicamento tem registro na ANVISA e existem evidências científicas que respaldam o uso. Nesse caso, a negativa pode e deve ser contestada judicialmente.
4. “O alto custo justifica a recusa”
Não. O risco financeiro da atividade pertence à operadora. Dessa forma, o paciente não deve suportar o impacto econômico do tratamento que o médico indicou como necessário.
Documentos Necessários para Entrar com Ação Judicial
Se o plano negou o Nucala por escrito — o que você deve sempre exigir —, chegou a hora de acionar a Justiça. Para tanto, reúna os seguintes documentos:
1. Relatório médico detalhado
Esse é o documento mais importante do processo. Por isso, o médico deve elaborá-lo com cuidado, incluindo:
- Diagnóstico com CID
- Histórico clínico, frequência das exacerbações e internações anteriores
- Tratamentos anteriores realizados e por que falharam
- Resultado da contagem de eosinófilos no sangue
- Justificativa técnica específica para o mepolizumabe
- Riscos concretos da não realização do tratamento
Quanto mais detalhado e fundamentado for o relatório, maiores são as chances de o juiz conceder a tutela de urgência rapidamente.
2. Negativa formal do plano de saúde
- Exija sempre a recusa por escrito — é seu direito legal
- Guarde a carta, o e-mail ou o número de protocolo que a operadora enviar
- Se a negativa for verbal, anote imediatamente a data, a hora e o nome do atendente
A negativa formal demonstra a resistência do plano e fortalece o pedido judicial.
3. Documentos pessoais e contratuais
- RG e CPF
- Comprovante de residência
- Carteirinha do plano de saúde
- Últimos 3 comprovantes de pagamento (em planos individuais ou familiares)
Assim que a documentação estiver organizada, o advogado pode protocolar o pedido de Tutela de Urgência (liminar) para que o paciente inicie o tratamento ainda durante o trâmite processual.
A Liminar: Como Obter o Nucala com Urgência
A liminar, também chamada de tutela de urgência, é a ferramenta mais eficaz nesses casos. Por meio dela, o juiz determina que o plano forneça o Nucala imediatamente, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.
Para obtê-la, o advogado precisa demonstrar ao juiz dois requisitos:
- Probabilidade do direito — o médico prescreveu o mepolizumabe com fundamentação técnica adequada
- Perigo de dano — a demora no tratamento causa risco de agravamento das crises respiratórias, novas internações ou danos irreversíveis à saúde
Na asma eosinofílica grave, a urgência é evidente quando o paciente apresenta exacerbações recorrentes, limitação funcional importante e uso recorrente de corticoide sistêmico. Dessa forma, a liminar evita que o paciente aguarde meses pelo fim do processo para iniciar o tratamento que o médico indicou.
É Possível Pedir Danos Morais pela Negativa?
Sim, em muitos casos. Quando a operadora nega o Nucala de forma abusiva e isso causa sofrimento, agravamento da doença ou atraso no tratamento, a Justiça pode condenar o plano a pagar indenização por danos morais ao paciente. No entanto, cada situação exige avaliação individual por um advogado especializado.
O que Fazer Imediatamente Após a Negativa do Plano?
Diante da recusa do Nucala pelo plano de saúde, aja com rapidez e siga estes passos:
- Exija a negativa por escrito — a operadora tem obrigação legal de fornecê-la
- Registre uma reclamação na ANS pelo telefone 0800 701 9656 ou pelo site — especialmente se o Nucala foi negado para asma eosinofílica grave, em que a cobertura já está no Rol
- Solicite ao médico um relatório detalhado com a contagem de eosinófilos, histórico de exacerbações e imprescindibilidade do mepolizumabe
- Reúna os documentos pessoais e contratuais
- Procure um advogado especialista em Direito da Saúde para avaliar a viabilidade de ação judicial com pedido de liminar
A agilidade nesse momento é fundamental, pois a asma eosinofílica grave não pode esperar.
Perguntas Frequentes sobre Nucala (Mepolizumabe) pelo Plano de Saúde
O Nucala já está no Rol da ANS?
Sim, parcialmente. O mepolizumabe integra o Rol da ANS desde abril de 2021 (RN nº 465/2021, DUT 65.10), atualizado pela RN nº 634/2025, para o tratamento complementar da asma eosinofílica grave. Para tanto, o paciente deve preencher todos os critérios: asma não controlada com corticoide inalatório + beta-2 agonista; eosinófilos ≥ 300 células/µL nos últimos 12 meses; e uso contínuo de corticoide oral por 6 meses ou 3 ou mais exacerbações no último ano. Para as demais indicações, a cobertura pode ser obtida judicialmente.
O plano pode negar o Nucala mesmo ele estando no Rol da ANS?
Se o paciente preenche todos os critérios da ANS para asma eosinofílica grave, a negativa é duplamente abusiva — contraria tanto a lei quanto a regulamentação expressa da própria agência. Portanto, nesse caso, a contestação judicial tem fundamento ainda mais sólido e a liminar tende a ser concedida com mais rapidez.
O alto custo do Nucala justifica a recusa do plano?
Não. O risco financeiro da atividade é da operadora, não do paciente. Dessa forma, o beneficiário não deve arcar com o impacto econômico do tratamento que o médico indicou.
Quanto custa o Nucala (mepolizumabe)?
Cada caixa pode variar entre R$ 7.200 e R$ 11.800, dependendo da apresentação e da farmácia. Como a aplicação geralmente é mensal, o custo anual pode ultrapassar R$ 100.000.
É possível conseguir o Nucala por liminar?
Sim. Quando o advogado demonstra urgência e o direito do paciente ao medicamento, o juiz pode conceder a liminar com rapidez, sem que o paciente precise aguardar o fim do processo para iniciar o tratamento.
Preciso esperar o fim do processo para receber o medicamento?
Não. Se o juiz conceder a liminar, o plano deve fornecer o Nucala imediatamente, ainda antes da sentença final, sob pena de multa diária.
O Nucala é indicado para crianças?
Sim. A ANVISA aprovou o mepolizumabe para asma eosinofílica grave em crianças a partir de 6 anos. Portanto, a cobertura pelo plano de saúde se aplica também a esse público, desde que preenchidos os critérios clínicos.
O médico precisa ser credenciado ao plano para a prescrição ter validade?
Não. Qualquer médico habilitado pode prescrever o Nucala, independentemente de ser credenciado à operadora. O que importa é que o relatório clínico seja bem fundamentado.
O SUS fornece o mepolizumabe?
O acesso ao mepolizumabe pelo SUS é limitado e depende de protocolos específicos. Para pacientes com plano de saúde ativo, a via mais rápida é acionar diretamente a operadora e, se necessário, recorrer ao Judiciário.
Posso pedir reembolso do Nucala que já comprei?
Sim. Quando o plano tinha obrigação de fornecer o medicamento e o paciente arcou com o custo, é possível pedir reembolso administrativa ou judicialmente. Um advogado especializado pode avaliar a viabilidade do pedido.
Posso processar o plano por danos morais pela negativa?
Em determinadas situações, sim. Quando a negativa é abusiva e causa sofrimento ou agravamento do quadro clínico, o paciente pode pleitear indenização por danos morais. Ainda assim, cada caso exige avaliação individual por um advogado especializado.
Como Nosso Escritório Atua na Garantia do Nucala
1. Análise do caso e viabilidade jurídica
Em primeiro lugar, analisamos o caso de forma completa — o contrato, a prescrição médica e a negativa do plano — para identificar a estratégia jurídica mais eficaz, inclusive verificando se o paciente já preenche todos os critérios do Rol da ANS (RN nº 465/2021, atualizada pela RN nº 634/2025).
2. Orientação ao médico assistente
Além disso, auxiliamos o médico na elaboração do relatório de imprescindibilidade, destacando os elementos essenciais para a concessão da liminar: contagem de eosinófilos, frequência das exacerbações, histórico de internações e imprescindibilidade do mepolizumabe.
3. Ação judicial com pedido de tutela de urgência
Por fim, com toda a documentação organizada, elaboramos a Petição Inicial e o pedido de Tutela de Urgência para que o juiz obrigue o plano a fornecer o Nucala no menor prazo possível.
Acesso à Justiça: E se Não Puder Pagar um Advogado?
Nosso escritório oferece advocacia pro bono para pacientes sem condições financeiras. Sendo assim, a situação econômica não precisa ser um obstáculo ao direito à saúde:
- Critério: renda familiar inferior a três salários mínimos
- Atendimento transparente, humanizado e conforme o Código de Ética da OAB
Portanto, entre em contato para avaliar sua elegibilidade e garantir o acesso ao Nucala sem custos com honorários advocatícios.
Fale com a Advogada Especialista em Direito da Saúde
Diante da negativa do Nucala (mepolizumabe) pelo plano de saúde, o próximo passo é buscar orientação jurídica especializada. Com experiência em Direito da Saúde, analisamos laudos, preparamos o pedido de urgência e, assim, conduzimos o processo de forma célere e eficaz.
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