Introdução

Seu plano de saúde negou o TAVI (Implante Percutâneo de Válvula Aórtica)? Essa recusa não tem respaldo legal quando há indicação médica fundamentada — e a situação é ainda mais clara porque o procedimento já integra o Rol da ANS.

O TAVI é um procedimento cardíaco moderno, menos invasivo que a cirurgia tradicional, indicado para pacientes com estenose aórtica grave. Ele está previsto no Rol de Procedimentos da ANS (RN nº 465/2021) com Diretriz de Utilização específica. No entanto, as operadoras frequentemente negam a cobertura alegando que o paciente não preenche os critérios da DUT — especialmente o critério de idade.

Portanto, neste guia completo e atualizado para 2026, você vai entender tudo o que precisa saber para agir:

  • O que é o TAVI e para que serve
  • Se o procedimento está no Rol da ANS e quais são os critérios exatos
  • O que acontece quando o paciente tem menos de 75 anos
  • Por que os argumentos das operadoras não procedem
  • Quais documentos reunir para entrar com ação judicial
  • Como obter uma liminar de urgência para realizar o procedimento rapidamente

O que é o TAVI e Para que Serve?

O TAVI (Transcatheter Aortic Valve Implantation) — também chamado de Implante Transcateter de Prótese Valvar Aórtica — é um procedimento minimamente invasivo que substitui a válvula aórtica do coração sem necessidade de cirurgia cardíaca aberta.

Ao contrário da cirurgia convencional, o TAVI é realizado por meio de um cateter inserido pela virilha (acesso transfemoral) ou pelo tórax (acesso transapical), sem abertura do esterno e sem necessidade de parada cardíaca. Dessa forma, o procedimento reduz significativamente os riscos cirúrgicos e acelera a recuperação, especialmente em pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades.

O TAVI trata a estenose aórtica grave — condição em que a válvula aórtica se estreita progressivamente, dificultando a passagem do sangue do coração para o restante do corpo. Sem tratamento, a estenose aórtica grave é uma doença com alto risco de morte em curto prazo. Por isso, quando o cardiologista indica o TAVI, trata-se de uma necessidade clínica urgente, não de uma opção eletiva.

Na prática, o procedimento é indicado principalmente para pacientes que:

  • Apresentam estenose aórtica grave sintomática com área valvar menor que 1 cm² (ou 0,6 cm²/m²)
  • São considerados de alto risco ou inoperáveis para a cirurgia cardíaca convencional
  • Têm idade avançada ou múltiplas comorbidades que elevam o risco da cirurgia tradicional

O TAVI Já Está no Rol da ANS? (Atualizado 2026)

Sim. O TAVI integra o Rol da ANS desde a RN nº 465/2021, sob a descrição “Implante Transcateter de Prótese Valvar Aórtica (TAVI) — com Diretriz de Utilização”. Portanto, para pacientes que preenchem os critérios da DUT, a cobertura é diretamente obrigatória.

Os critérios da DUT para cobertura obrigatória direta incluem:

CritérioExigência
DiagnósticoEstenose aórtica grave sintomática (área valvar menor que 1 cm² ou 0,6 cm²/m²)
IdadeIgual ou superior a 75 anos
Perfil de riscoAlta probabilidade de morbimortalidade cirúrgica por comorbidades, ou inoperabilidade para cirurgia convencional

E para pacientes com menos de 75 anos?

Esse é o ponto mais importante deste post: a restrição de idade de 75 anos da DUT não é absoluta. Quando o cardiologista indica o TAVI para paciente com menos de 75 anos, com base em critérios clínicos como alto risco cirúrgico comprovado ou inoperabilidade para a cirurgia convencional, os tribunais brasileiros têm determinado a cobertura obrigatória. Isso ocorre porque as restrições das DUTs não podem prevalecer sobre a indicação médica individualizada quando há fundamento clínico sólido.

Portanto, independentemente da idade, quando o médico indica o TAVI com justificativa técnica adequada, o plano de saúde pode ser compelido a cobrir.


Quanto Custa o TAVI?

O TAVI é considerado um dos procedimentos cardiovasculares mais caros disponíveis no mercado. Quando realizado de forma particular, o custo pode ultrapassar R$ 150.000, incluindo a prótese valvar, os honorários médicos, a anestesia e a internação em UTI.

Por isso, a cobertura pelo plano de saúde é absolutamente essencial para que o paciente tenha acesso ao tratamento. Além disso, quando o plano nega indevidamente e o paciente arca com os custos por conta própria, é possível buscar o reembolso judicial do valor integral.


O Plano de Saúde é Obrigado a Cobrir o TAVI?

Sim, quando o caso reúne os requisitos adequados. O plano tem obrigação direta de cobrir o TAVI quando o paciente preenche os critérios da DUT do Rol da ANS. Além disso, mesmo quando os critérios da DUT não são integralmente preenchidos — como no caso de pacientes com menos de 75 anos —, a cobertura pode ser exigida judicialmente quando há indicação médica fundamentada.

Isso ocorre porque a Lei nº 9.656/98 garante a cobertura dos tratamentos necessários às doenças previstas no contrato. Além disso, a estenose aórtica grave é uma doença cardíaca com cobertura obrigatória em todos os planos com segmentação hospitalar. Em outras palavras, coberta a doença, o plano não pode negar o tratamento indicado pelo cardiologista.

Quais requisitos o caso precisa ter?

Para que a obrigação de cobertura exista, é necessário que o caso apresente:

  1. Prescrição médica fundamentada: com diagnóstico, CID e justificativa do cardiologista ou cirurgião cardíaco
  2. Estenose aórtica grave sintomática documentada em ecocardiograma
  3. Indicação para TAVI em vez da cirurgia convencional, com justificativa clínica
  4. Doença coberta pelo contrato: estenose aórtica deve estar incluída na segmentação do plano

E quando a DUT exige mais do que o caso apresenta?

Quando o paciente não preenche todos os critérios estritos da DUT — como a faixa etária de 75 anos —, a cobertura ainda pode ser exigida judicialmente com base na indicação médica individualizada e na Lei nº 14.454/2022. Nesses casos, a avaliação jurídica individualizada por um advogado especializado é indispensável.


Por que as Justificativas do Plano Não se Sustentam?

As operadoras utilizam argumentos padronizados para negar o TAVI. A seguir, veja por que nenhum deles tem respaldo legal quando há indicação médica fundamentada:

1. “O TAVI não está no Rol da ANS”

Essa alegação não tem fundamento. O TAVI está expressamente previsto no Rol da ANS desde a RN nº 465/2021, sob a descrição “Implante Transcateter de Prótese Valvar Aórtica (TAVI) — com Diretriz de Utilização”. Portanto, quando o paciente preenche os critérios da DUT, a negativa contraria uma determinação expressa da ANS.

2. “O paciente não preenche os critérios da DUT (especialmente a idade)”

Quando o cardiologista indica o TAVI com fundamentação clínica adequada — incluindo a justificativa para o procedimento em paciente com menos de 75 anos —, os tribunais têm reconhecido a cobertura mesmo fora dos critérios estritos da DUT. Por isso, a qualidade do relatório médico é determinante nesse cenário.

3. “A cirurgia convencional está disponível no plano”

Quando o médico indica especificamente o TAVI por considerar que o paciente é de alto risco para a cirurgia convencional, o plano não pode substituir a avaliação técnica do cardiologista por critérios administrativos. Além disso, a escolha do tratamento mais adequado cabe exclusivamente ao médico, não à operadora.

4. “O plano não cobre o material (prótese valvar)”

Essa alegação é indevida. A cobertura do TAVI inclui todos os materiais necessários para a realização do procedimento, incluindo a prótese valvar percutânea, conforme a RN nº 465/2021. O plano não pode cobrir o procedimento e excluir o material essencial para sua realização.

5. “O alto custo justifica a negativa”

Não. O custo do procedimento não autoriza a recusa. Isso porque o risco financeiro da atividade pertence à operadora, não ao paciente. Além disso, quando o cardiologista indica o TAVI para tratar uma doença cardíaca coberta pelo contrato, a operadora tem obrigação legal de custear o tratamento.


Documentos Necessários para Entrar com Ação Judicial

Se o plano negou o TAVI por escrito, chegou a hora de acionar a Justiça. Para tanto, reúna os seguintes documentos:

1. Relatório médico detalhado

Esse é o documento mais importante do processo. Por isso, o cardiologista ou cirurgião cardíaco deve elaborá-lo com cuidado especial, incluindo obrigatoriamente:

  • Diagnóstico de estenose aórtica grave com CID correspondente
  • Resultado do ecocardiograma com a área valvar documentada
  • Avaliação do risco cirúrgico (scores STS e EuroSCORE, quando disponíveis)
  • Justificativa técnica específica para o TAVI em vez da cirurgia convencional
  • Comorbidades que elevam o risco da cirurgia aberta
  • Urgência do procedimento e riscos da demora no tratamento

Quando o paciente tem menos de 75 anos, o relatório deve incluir justificativa técnica específica para a indicação fora dos critérios estritos da DUT.

2. Exames cardiológicos

Além do relatório, é fundamental reunir os exames que comprovam a gravidade da doença:

  • Ecocardiograma com medida da área valvar aórtica
  • Angiotomografia ou cateterismo cardíaco, quando realizados
  • Demais exames que o cardiologista considerar relevantes para documentar o risco cirúrgico

3. Negativa formal do plano de saúde

  • Exija sempre a negativa por escrito, pois é seu direito legal
  • Guarde a carta, o e-mail ou o número de protocolo que a operadora enviar
  • Se a negativa for verbal, solicite o número de protocolo e exija a justificativa por escrito

4. Documentos pessoais e contratuais

Por fim, reúna também os documentos básicos:

  • RG e CPF
  • Comprovante de residência
  • Carteirinha do plano de saúde
  • Últimos 3 comprovantes de pagamento

Assim que a documentação estiver completa, o advogado pode solicitar uma liminar para que o paciente realize o procedimento ainda antes do fim do processo.


A Liminar: Como Realizar o TAVI com Urgência

A liminar é a ferramenta mais eficaz para garantir o acesso rápido ao TAVI. Por meio dela, o juiz determina que o plano autorize o procedimento imediatamente, sem que o paciente precise esperar o fim do processo. Além disso, o descumprimento da liminar gera multa diária, o que incentiva o cumprimento rápido da decisão.

Para obtê-la, o advogado precisa demonstrar ao juiz duas coisas:

  1. Que o paciente tem direito ao procedimento, com base na indicação médica, nos critérios do Rol e na Lei nº 9.656/98
  2. Que a demora causa risco real à vida do paciente, pois a estenose aórtica grave não tratada tem alta mortalidade em curto prazo

Em casos de estenose aórtica grave sintomática, a urgência é evidente e amplamente reconhecida pelo Judiciário. Dessa forma, a liminar evita que o paciente aguarde meses para realizar o procedimento que o cardiologista indicou. Por isso, preparar bem a documentação médica — especialmente o ecocardiograma e o relatório com avaliação de risco cirúrgico — é fundamental para agilizar a decisão do juiz.


É Possível Pedir Danos Morais pela Negativa?

Sim, em muitos casos. Quando a operadora nega o TAVI de forma abusiva e isso causa sofrimento, agravamento da doença ou atraso no tratamento de uma condição grave, a Justiça pode condenar o plano a pagar indenização por danos morais ao paciente. Além disso, esse pedido pode ser incluído na mesma ação que exige a autorização do procedimento. No entanto, cada situação exige avaliação individual por um advogado especializado.


O que Fazer Imediatamente Após a Negativa do Plano?

Diante da recusa do TAVI pelo plano de saúde, aja com rapidez e siga estes passos:

  1. Exija a negativa por escrito, pois a operadora tem obrigação legal de fornecê-la
  2. Registre uma reclamação na ANS pelo telefone 0800 701 9656 — especialmente útil quando o TAVI foi negado para paciente que preenche os critérios da DUT
  3. Solicite ao cardiologista um relatório detalhado com o ecocardiograma, a avaliação de risco cirúrgico e a justificativa específica para o TAVI
  4. Reúna os exames cardiológicos e documentos pessoais e contratuais
  5. Procure um advogado especialista em Direito da Saúde para avaliar o caso e ingressar com pedido de liminar com urgência

A agilidade nesse momento é fundamental, pois a estenose aórtica grave é uma doença com risco de morte. Além disso, quanto mais cedo o advogado receber a documentação, mais rápido pode protocolar o pedido de liminar.


Perguntas Frequentes: TAVI pelo Plano de Saúde

O TAVI está no Rol da ANS?

Sim. O TAVI integra o Rol da ANS desde a RN nº 465/2021, sob a descrição “Implante Transcateter de Prótese Valvar Aórtica (TAVI) — com Diretriz de Utilização”. Portanto, para pacientes que preenchem os critérios da DUT, a cobertura é diretamente obrigatória.

O plano pode negar o TAVI porque o paciente tem menos de 75 anos?

A DUT do Rol estabelece 75 anos como critério de elegibilidade. No entanto, os tribunais têm determinado a cobertura para pacientes mais jovens quando o cardiologista demonstra alto risco para a cirurgia convencional. Por isso, a justificativa médica individualizada é essencial nesses casos.

O plano pode substituir o TAVI pela cirurgia convencional?

Não, quando o cardiologista indica especificamente o TAVI com justificativa técnica. A avaliação do risco cirúrgico e a escolha do procedimento mais adequado cabem exclusivamente ao médico, não à operadora.

O plano é obrigado a cobrir a prótese valvar?

Sim. A cobertura do TAVI inclui todos os materiais necessários, incluindo a prótese valvar percutânea. O plano não pode cobrir o procedimento e excluir o material essencial para sua realização.

Quanto custa o TAVI?

Quando realizado de forma particular, o custo pode ultrapassar R$ 150.000, incluindo a prótese, os honorários médicos, a anestesia e a internação. Por isso, a cobertura pelo plano é absolutamente essencial.

É possível conseguir o TAVI por liminar?

Sim. Quando o advogado demonstra urgência e o direito do paciente ao procedimento, o juiz pode conceder a liminar com celeridade. Em casos de estenose aórtica grave sintomática, a urgência é amplamente reconhecida pelo Judiciário.

O SUS realiza o TAVI?

Sim, parcialmente. O TAVI está previsto no SUS, mas com restrições similares às da ANS — principalmente para pacientes de alto risco ou inoperáveis. O acesso pelo SUS pode envolver filas e depende da disponibilidade do centro cirúrgico. Para pacientes com plano de saúde ativo, acionar diretamente a operadora é geralmente a via mais rápida.

Posso pedir reembolso se já realizei o TAVI por conta própria?

Sim. Quando o plano negou indevidamente e o paciente arcou com os custos, é possível pedir o reembolso do valor integral pago, corrigido e com juros. Guarde todas as notas fiscais e comprovantes de pagamento.


Como Nosso Escritório Atua na Garantia do TAVI

1. Análise do caso e viabilidade

Em primeiro lugar, analisamos o caso de forma completa, incluindo o contrato, a prescrição médica e a negativa do plano, para identificar a estratégia mais eficaz. Além disso, verificamos se o paciente preenche os critérios da DUT do Rol da ANS — o que determina a abordagem jurídica mais adequada.

2. Orientação ao cardiologista

Em segundo lugar, auxiliamos o cardiologista ou cirurgião cardíaco na elaboração do relatório, destacando os elementos mais importantes: a área valvar ao ecocardiograma, os scores de risco cirúrgico (STS e EuroSCORE), as comorbidades e a justificativa específica para o TAVI.

3. Ação judicial com pedido de liminar

Por fim, com toda a documentação organizada, elaboramos a ação judicial com pedido de liminar para que o juiz obrigue o plano a autorizar o TAVI com a maior brevidade possível.


Acesso à Justiça: E se Não Puder Pagar um Advogado?

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Portanto, entre em contato para avaliar sua elegibilidade e garantir o acesso ao TAVI sem custos com honorários.


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